Eu vou conhecer meu amor naquela exposição super cult, naquele lugar que seu amigo meio new-age indicou. Ele será meio underground, fã de Bob Dylan, vai curtir Nirvana e ouvir Los Hermanos no último volume. Ele terá um ar meio fora do ar, vai falar das estrelas e tocar baixo enquanto eu pinto as unhas dos pés.
Na verdade, meu bem vai estar num debate de cinema neo-realista. Ele ouve Chico Buarque no carro, lê Umberto Eco e cozinha a melhor lasanha. Ele escreve contos, lê histórias em quadrinho e joga tênis.
Pensando bem, meu amado estará tomando café na minha livraria preferida, ele gostará de Cartola, deixa a barba por crescer, toca violino, gosta de filosofia e não lê best-seller. Ele adora tirar fotos e dirige uma moto. É campeão de xadrez, está aprendendo a surfar e faz uma ótima massagem nas costas.
Melhor ainda: vou conhecer meu amor naquela festa chata da sua melhor amiga e descobrir que ele adora Eddie Vedder e toca violão. Ele tem um estilo meio novo-nerd, nós vamos discutir Hitchcock aos domingos, Godard às segundas e nas sextas vamos assistir a um blockbuster.
Decidi-me: meu amor vai esbarrar em mim no meu bar predileto, ele ouve Beatles, sabe cozinhar tudo de culinária tailandesa e italiana, lê poesia, corre na praia e tem as mãos quentes. Ele sabe contar piadas e não suporta pagode.
Quer saber, o meu amor vai ser do jeito dele. E eu do meu.
Se não der certo, não tem jeito. Será desfeito.
E refeito, um novo amor.
domingo, 31 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
rima amarrada
Em cada abraço
um laço que faço
desmancho um nó
agora um pouco menos só
faço sorriso de enfeite
amarrando a mim esse deleite
um laço que faço
desmancho um nó
agora um pouco menos só
faço sorriso de enfeite
amarrando a mim esse deleite
domingo, 26 de junho de 2011
poeminha para passar o tempo
a vida nossa, sem graça, de cada dia
gracioso
cheios de graça e desgraça
passa
por ruas, canais, desvios, atalhos, espinhos
desa
linhos
dessas línhas elÉtricas que ligam essa gente
passageiras da vida
desligada das gentes que vive
essa vida que passa
por fios que tecem o tempo -
o maior mistério de todos os tempos
diluído em risos, respiros, tropeços, tiros, suspiros
qualquer vida de tempo que passa, que medimos
mas não suprimos
contamos em ideias, fatos, atos, terços, histórias
calculamos em cantos, encantos, desencantos, algum pranto
Ah... tanto
pouco tempo!
pra tantas passagens
até perco a conta
dos momentos que não cabem no momento
do não dito, do quase lá,do espaço entre os lábios, do arrepio
dessa vida feita de tempo que passa
em segundos
que preenchem as horas
dos instantes explodindo de minutos
que sem querer
perdem o minuto de dizer o mais importante:
gracioso
cheios de graça e desgraça
passa
por ruas, canais, desvios, atalhos, espinhos
desa
linhos
dessas línhas elÉtricas que ligam essa gente
passageiras da vida
desligada das gentes que vive
essa vida que passa
por fios que tecem o tempo -
o maior mistério de todos os tempos
diluído em risos, respiros, tropeços, tiros, suspiros
qualquer vida de tempo que passa, que medimos
mas não suprimos
contamos em ideias, fatos, atos, terços, histórias
calculamos em cantos, encantos, desencantos, algum pranto
Ah... tanto
pouco tempo!
pra tantas passagens
até perco a conta
dos momentos que não cabem no momento
do não dito, do quase lá,do espaço entre os lábios, do arrepio
dessa vida feita de tempo que passa
em segundos
que preenchem as horas
dos instantes explodindo de minutos
que sem querer
perdem o minuto de dizer o mais importante:
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Sobre coceira nas costas e motivos para se amar
Coceira é uma coisa que irrita. Agora, a coceira que mais irrita é aquela que dá nas costas, naquele lugar em que não se alcança. Não importa o malabarismo que você faça, o lápis que você pegue para lhe ajudar, a porta que você se esfregue, você não vai acertar o lugar. Você precisa de um outro alguém para coçar - é a única solução. E eu não tinha mais um par de mãos para me socorrer. Eu telefonei para você, aos pulos, não sei porque dos pulos, mas eu pulava de um jeito engraçado, como se fosse uma anestesia para o meu nervoso. Ainda bem que você não estava em casa. Eu disse "ainda bem"? Como assim? Quem se importa em parecer ridícula num momento de vulnerabilidade como o meu?
Você atende e diz que está no viva voz, que sua reunião já vai começar, pede que eu fale rápido. Penso se seria uma boa ideia eu confiar meu drama para você e sabe-se mais quem. Na verdade, é um drama bem estúpido pensando agora, mas no momento exato em que ele acontecia, ele tinha todo o direito de se constituir com o maior drama do mundo. "Boa reunião" e desligo o telefone.
Nesse momento minhas costas já devem estar coçando faz cinco minutos. Qual será o tempo máximo que as costas podem ficar coçando? Penso então que devo pensar em outra coisa e assim o incômodo irá passar. Dizem que frio é psicológico, o que eu nunca acreditei, mas naquele momento depositei toda minha fé em coceira nas costas o ser.
Eu acrescentei umas duas linhas no meu trabalho, na tentativa de distração do meu probelma, mas já pensava em soluções drásticas como bater na porta do vizinho, até que sinto o barulho da chave na porta. "Minha reunião foi cancelada logo depois da sua ligação". Eu corro tão feliz pulando por entre os móveis em sua direção, quase te derrubando e você não entende o porque da minha alegria, mas me abraça mesmo assim. E sabe quando alguém te abraça e enquanto abraça arrasta as mãos pelas suas costas? Quem inventou este tipo de abraço, tem seu lugar no céu! E você, como você sabia exatamente o lugar certo?
A gente se desprende e eu tenho um sorriso bobo no rosto e você uma expressão indescritível de "não estou entendendo nada", o que me faz ficar ainda mais feliz. Você pergunta por que estou tão alegre.
- Obrigada, eu digo, como se você tivesse feito a coisa mais linda do mundo para mim.
- Pelo que?
- Te amo.
E lhe dou um beijo na testa.
Você atende e diz que está no viva voz, que sua reunião já vai começar, pede que eu fale rápido. Penso se seria uma boa ideia eu confiar meu drama para você e sabe-se mais quem. Na verdade, é um drama bem estúpido pensando agora, mas no momento exato em que ele acontecia, ele tinha todo o direito de se constituir com o maior drama do mundo. "Boa reunião" e desligo o telefone.
Nesse momento minhas costas já devem estar coçando faz cinco minutos. Qual será o tempo máximo que as costas podem ficar coçando? Penso então que devo pensar em outra coisa e assim o incômodo irá passar. Dizem que frio é psicológico, o que eu nunca acreditei, mas naquele momento depositei toda minha fé em coceira nas costas o ser.
Eu acrescentei umas duas linhas no meu trabalho, na tentativa de distração do meu probelma, mas já pensava em soluções drásticas como bater na porta do vizinho, até que sinto o barulho da chave na porta. "Minha reunião foi cancelada logo depois da sua ligação". Eu corro tão feliz pulando por entre os móveis em sua direção, quase te derrubando e você não entende o porque da minha alegria, mas me abraça mesmo assim. E sabe quando alguém te abraça e enquanto abraça arrasta as mãos pelas suas costas? Quem inventou este tipo de abraço, tem seu lugar no céu! E você, como você sabia exatamente o lugar certo?
A gente se desprende e eu tenho um sorriso bobo no rosto e você uma expressão indescritível de "não estou entendendo nada", o que me faz ficar ainda mais feliz. Você pergunta por que estou tão alegre.
- Obrigada, eu digo, como se você tivesse feito a coisa mais linda do mundo para mim.
- Pelo que?
- Te amo.
E lhe dou um beijo na testa.
domingo, 12 de junho de 2011
jantar
um vinho, tinto, pra combinar com seus lábios
você pede branco,
para combinar com a nossas mentes
vazias de desculpas
cheias de espaços para transbordar
um menu sortido, de sortidas dúvidas
o de sempre, pra não errar
escolhi
você, pediu o mesmo
por já gostar
nós jantamos, a nós mesmos
sem garfo ou faca
sujamos o pano da mesa
não limpamos a bagunça
e rimos na sobremesa
pagamos caro
por nosso fútil luxo
valeu a pena gastar
nosso pecado claro
com o nosso gostar
o gosto fica na mente
na boca, o desejo despejado
no guardanapo de batom
guarda sorrisos bobos e olhares digeridos
mastigamos os sabores de um belo dia frio
a gorjeta
queimamos no microondas
você pede branco,
para combinar com a nossas mentes
vazias de desculpas
cheias de espaços para transbordar
um menu sortido, de sortidas dúvidas
o de sempre, pra não errar
escolhi
você, pediu o mesmo
por já gostar
nós jantamos, a nós mesmos
sem garfo ou faca
sujamos o pano da mesa
não limpamos a bagunça
e rimos na sobremesa
pagamos caro
por nosso fútil luxo
valeu a pena gastar
nosso pecado claro
com o nosso gostar
o gosto fica na mente
na boca, o desejo despejado
no guardanapo de batom
guarda sorrisos bobos e olhares digeridos
mastigamos os sabores de um belo dia frio
a gorjeta
queimamos no microondas
sábado, 4 de junho de 2011
Eu tomei o último gole do nosso milkshake.
Eu tomei o último gole do nosso milkshake. Eu sei, você gosta do último gole. Por que então não pedimos dois ao invés de um? Ah, você disse que não queria um inteiro, que podíamos dividir. Certo.
Claro, eu fiz de propósito. Já não lembro porque, mas tenho certeza que quando saímos do carro, nós estávamos irritados um com o outro. Então eu bebi o último gole de propósito. E beberia de novo.
Você não disse nada. Você sorriu. Sorriu? Tirou seu canudo do copo e lambeu os vestígios de sorvete batido. "Patético". "Eu ou você?".
Olhares.
Eu ou você, alguém pagou a conta. Eu tentava, sem sucesso, lembrar porque tínhamos brigado. Eu precisava saber! Eu precisava gritar, falar que estava certa, que a culpa era sua, dizer que você não me ouve, chorar, fazer uma cena, reclamar da louça que você não lavou no meio da discussão. Maldito motivo! Como posso ficar irritada com você sem saber o porque?
Nós chegamos em casa. Você disse que ia ver televisão. Nós trocamos algumas palavras secas sobre algum caso de algum amigo em comum, eu avisei que sua mãe ligou enquanto tomava banho. E eu já queria te abraçar, dar mil beijos e fingir que nada aconteceu. Mas o que aconteceu? - Nós pensamos. Então eu troquei de roupa e fui dormir.
Nove da manhã de sábado. Você não está na cama. Nem seu travesseiro. Ando até a sala e lá está você: dormindo no sofá. Por que?
Zzrrrrrrrrrrrrrummmmmm.
Eu posso ouvir seus passos irritados vindo da sala até a cozinha. Eu sinto que você está prestes a gritar seu silêncio do dia anterior, começando com "Você sabe que horas são?". Então você me vê despejando um líquido do liquidificador para o copo.
"Chocolate, seu preferido". Eu lhe entrego apenas um canudo. Você pega outro copo, despeja por volta de dois centímetros do milkshake. "Eu gosto de deixar o último gole para você".
Obrigado.
Obrigada.
Sorrisos.
Olhares.
Claro, eu fiz de propósito. Já não lembro porque, mas tenho certeza que quando saímos do carro, nós estávamos irritados um com o outro. Então eu bebi o último gole de propósito. E beberia de novo.
Você não disse nada. Você sorriu. Sorriu? Tirou seu canudo do copo e lambeu os vestígios de sorvete batido. "Patético". "Eu ou você?".
Olhares.
Eu ou você, alguém pagou a conta. Eu tentava, sem sucesso, lembrar porque tínhamos brigado. Eu precisava saber! Eu precisava gritar, falar que estava certa, que a culpa era sua, dizer que você não me ouve, chorar, fazer uma cena, reclamar da louça que você não lavou no meio da discussão. Maldito motivo! Como posso ficar irritada com você sem saber o porque?
Nós chegamos em casa. Você disse que ia ver televisão. Nós trocamos algumas palavras secas sobre algum caso de algum amigo em comum, eu avisei que sua mãe ligou enquanto tomava banho. E eu já queria te abraçar, dar mil beijos e fingir que nada aconteceu. Mas o que aconteceu? - Nós pensamos. Então eu troquei de roupa e fui dormir.
Nove da manhã de sábado. Você não está na cama. Nem seu travesseiro. Ando até a sala e lá está você: dormindo no sofá. Por que?
Zzrrrrrrrrrrrrrummmmmm.
Eu posso ouvir seus passos irritados vindo da sala até a cozinha. Eu sinto que você está prestes a gritar seu silêncio do dia anterior, começando com "Você sabe que horas são?". Então você me vê despejando um líquido do liquidificador para o copo.
"Chocolate, seu preferido". Eu lhe entrego apenas um canudo. Você pega outro copo, despeja por volta de dois centímetros do milkshake. "Eu gosto de deixar o último gole para você".
Obrigado.
Obrigada.
Sorrisos.
Olhares.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
eu sei quem você é
sabe,
eu costumava gostar dessa sua cara meio arrogante
não por uma questão de atitude, acho meio besta
eu gostava era do desafio
ah, eu queria ganhar
mas agora eu sei
ou sempre soubesse
por detrás, eu vejo
um quê de carência, um quê de sensibilidade
um quê de não se deixar desafiar
nunca disse que era uma má pessoa
talvez, às vezes, mas não é por mal
mesmo que,às vezes, faça mal
mas não à mim
de mim, o bem, à mim, muito bem
mas você ainda precisa crescer, entender
você só quer se proteger, e eu também
mas de mim, você não tem medo
só porque eu te desafiei
e você me abraçou,
sem máscara
eu costumava gostar dessa sua cara meio arrogante
não por uma questão de atitude, acho meio besta
eu gostava era do desafio
ah, eu queria ganhar
mas agora eu sei
ou sempre soubesse
por detrás, eu vejo
um quê de carência, um quê de sensibilidade
um quê de não se deixar desafiar
nunca disse que era uma má pessoa
talvez, às vezes, mas não é por mal
mesmo que,às vezes, faça mal
mas não à mim
de mim, o bem, à mim, muito bem
mas você ainda precisa crescer, entender
você só quer se proteger, e eu também
mas de mim, você não tem medo
só porque eu te desafiei
e você me abraçou,
sem máscara
terça-feira, 31 de maio de 2011
Dos lugares que habitamos
Há tantas coisas pela minha casa que às vezes parece que não há mais capacidade para se colocar mais uma agulha dentro. Mas sempre há. Revistas, enfeites, pequenos móveis, porta-retratos, filmes, cd's, livros, penduricalhos, utilidades e inutilidades. Tanta coisa, que sempre me pego esbarrando, tropeçando, como se não conhecesse os caminhos e espaços vazios. Apesar de minhas topadas, tropeços, reclamações e desajeitos; toda essa confusão organizada (e pensada) parece cair bem por aqui. É muita informação, sim. Mas uma informação que realmente cumpre seu propósito.
Entrando aqui, é possível prever quem habita. Eu disse prever, não conhecer. Não que seja óbvio, longe disso. Há também muito mistério em um lugar que abarca muita coisa, pois sempre faltará algo a ser observado. Cada canto representa um pouco, ou dá pistas das mãos e pernas que aqui transitam diariamente. A casa é um grande vestígio do que se é, do que se foi, do que se conheceu, de onde se esteve. Talvez seja por isso que quando viajamos, por melhor que seja a viagem, sentimos falta da familiaridade, do reconhecimento dos espaços vazios e cheios. São diversos objetos ao quais nos identificamos e que nos identificam.
E se é assim mesmo, não seria a casa um grande corpo? Ou o corpo, uma grande casa? Em um corpo, também há mil objetos, as marcas do que se é, de onde se esteve, do que aconteceu. Às vezes, o corpo sente que não suporta mais nada, mas sempre cabe mais alguma coisa, seja uma alegria ou uma decepção. Nele, há espaços vazios e espaços cheios, por isso nem sempre é possível conhecer outro corpo ou o próprio, sem que seja preciso mudar algum móvel de lugar para dar passagem. O corpo tropeça em si mesmo, quebra um enfeite, usa super-bonder e se recoloca no lugar, joga fora o velho, compra algo novo. Ou não. O corpo, às vezes, não nos é suficiente e então queremos bater na porta do outro, pedir licença, ficar para jantar. Às vezes somos bem-vindos, às vezes não.
Enfim, será mesmo essa comparação válida? Se sim, a gente cuida ou descuida do corpo, assim como descuida ou cuida da casa. Se não consertamos uma lâmpada queimada ou um pé da mesa torto, ficaremos no escuro, ou correremos o risco de ficar sem mesa. Por vezes, tiramos férias do corpo também, como quando a gente vai e habita outros corpos ou se esconde no nosso próprio. Mas sempre voltamos, para nos reconhecer.
De acordo com o dicionário, casa é "Edifício destinado à habitação; vivenda.". Então, digo que agora não me resta dúvidas. O corpo é casa. A casa é corpo. Vivemos com o corpo. No corpo. Limpamos, cuidamos, preservamos, enfeitamos, sujamos, reviramos por um objeto perdido,etc. Cada canto, cada pedaço de pele, um vaso quebrado, uma pinta, um detalhe, uma lembrança, uma cicatriz, é um mistério a ser buscado, uma história.
domingo, 29 de maio de 2011
A pilha do controle remoto acabou.
A pilha do controle remoto acabou. Numa segunda às duas da manhã. Não tem pilha em casa e não tem onde ir para comprar. Por que uma pilha acabaria às duas da manhã? Ela teve o dia anterior inteiro, e outros dias da semana para fazer isso. Deveria ser proibido. Seria interessante uma lei que proibisse as pilhas de acabarem em horas em que não se pode conseguir outras para sua substituição. Sinto que isso evitaria muitos problemas das pessoas com o mundo. E se eu ficasse muito irritada e resolvesse usar uma bomba atômica só por que a pilha do controle remoto chegou ao fim? E quem vai me dizer depois que não teria sido motivo suficiente? Cada um sabe o tamanho da sua necessidade de ver Televisão. Ok, talvez eu esteja exagerando. Afinal, não foi a água do mundo que acabou ou o sol que nunca mais vai nascer.
Claro, eu posso trocar os canais pela Tv. Mas e se você é daquelas pessoas que fica pulando os canais incansavelmente até surgir algo interesssante para assistir? Acho que não é uma boa solução. Vá ler um livro, você disse, levantando os olhos da sua revista. Se eu quissesse estar lendo um livro, era o que estaria fazendo antes, eu disse. Desculpe, completei. Não se pode ter tudo que quer, nós pensamos.
Eu levantei, lhe dei um beijo na testa e eu fui ler um livro.
Foi ele quem comprou as pilhas no dia seguinte.
sábado, 28 de maio de 2011
Sobre tampas e pessoas
Eu tentava ridiculamente abrir a tampa de um creme. Minhas mãos já doíam e eu já havia xingado todas as tampas do mundo. Então você chega, ri e diz: deixa que eu abro. Eu disse que não, que era questão de orgulho. Como seria possível uma tampa não abrir? Elas são feitas para isso, afinal.
Sim, eu estava realmente irritada com aquela situação. E você prosseguiu:
- Para de fazer força; não é força, é jeito.
Essa é uma daquelas frases que todo mundo gosta de falar, mas odeia ouvir. E eu ouvi. Essa frase é uma mentira: tem tampas que precisam de força, tem tampas que precisam de jeito e outras que precisam dos dois. Você acha o que, que todas as tampas do mundo obedecem a algum tipo de regra para a sua abertura? - Eu disse.
Você riu de novo. Eu sentei no sofá, já cansada da minha árdua discussão com a simpática tampa. Talvez ela só não quisesse ser aberta naquele momento, ou nunca,quem vai saber. Às vezes as pessoas não querem conversar, não querem pensar, não querem cantar, sorrir, chorar e muitas outras ações que teriam sido feitas para realizar. Por que não poderia ser o mesmo com as tampas? Ou com uma gaveta que emperra? Então eu coloquei o pote em cima mesa e liguei a Tv.
Parabéns, você ganhou, eu desisto.
Wrak.
Você está na minha frente com o pote em uma mão e a tampa na outra. Eu primeiro lanço um semi olhar de raiva. Eu sabia que você faria isso para provar que conseguia abrir. Mas não, eu ri, e você riu junto.
- Era força; e jeito - você disse.
E nós fomos ver televisão, sem conversar, sem pensar. Só ver televisão.
Sim, eu estava realmente irritada com aquela situação. E você prosseguiu:
- Para de fazer força; não é força, é jeito.
Essa é uma daquelas frases que todo mundo gosta de falar, mas odeia ouvir. E eu ouvi. Essa frase é uma mentira: tem tampas que precisam de força, tem tampas que precisam de jeito e outras que precisam dos dois. Você acha o que, que todas as tampas do mundo obedecem a algum tipo de regra para a sua abertura? - Eu disse.
Você riu de novo. Eu sentei no sofá, já cansada da minha árdua discussão com a simpática tampa. Talvez ela só não quisesse ser aberta naquele momento, ou nunca,quem vai saber. Às vezes as pessoas não querem conversar, não querem pensar, não querem cantar, sorrir, chorar e muitas outras ações que teriam sido feitas para realizar. Por que não poderia ser o mesmo com as tampas? Ou com uma gaveta que emperra? Então eu coloquei o pote em cima mesa e liguei a Tv.
Parabéns, você ganhou, eu desisto.
Wrak.
Você está na minha frente com o pote em uma mão e a tampa na outra. Eu primeiro lanço um semi olhar de raiva. Eu sabia que você faria isso para provar que conseguia abrir. Mas não, eu ri, e você riu junto.
- Era força; e jeito - você disse.
E nós fomos ver televisão, sem conversar, sem pensar. Só ver televisão.
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