te amo porque acredito em arte
se não acreditasse
seus cachinhos seriam só cachinhos
ao invés de molas que resistem ao desamor
e então
não te amaria
domingo, 22 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
bom dia
tudo que faço são poeminhas de travesseiro
espalho as minhas palavras na cama
como um menino bagunceiro
espalha seus brinquedos na grama
vivo então de fazer cafuné
só quero fazer abrir sorriso
como se fosse cosquinha no pé
espalho as minhas palavras na cama
como um menino bagunceiro
espalha seus brinquedos na grama
vivo então de fazer cafuné
só quero fazer abrir sorriso
como se fosse cosquinha no pé
domingo, 1 de janeiro de 2012
Sobre calendários e pessoas.
Era uma noite como outra qualquer. Talvez exceto pela quantidade de gente nas ruas e de álcool na cabeça. Eu comi, tomei banho, reclamei um pouquinho, ri de coisas sem-graça, conversei, fiz telefonemas; como em qualquer outro dia. E passou o dia, passou a tarde e a noite passou.
E é preciso comprar um calendário novo. E tem coisas velhas que devem ficar - como o amor, a amizade, o carinho. O velho e o novo sempre andam juntos e não adianta falar de esquecer o que passou. Mas está tudo fechado e o calendário fica pra amanhã.
Amanhã, mais um dia, como outro qualquer. Eu vou comer, reclamar, tomar banho, rir. Não necessariamente nessa ordem. Porque o que vem antes e o que vem depois andam juntos e não adianta ficar programando tudo. Nem tudo vai dar certo. Porque há a surpresa, o inesperado.
Alguns dias do calendário vão ficar na memória. E não será por um grande motivo. Vai ser por um jeito diferente de se dizer que ama, por uma coisa sem graça que você vai rir sempre que lembrar, por uma conversa boba. Hoje pode ter um pequeno motivo para ser diferente. E por isso, não é bom deixar tudo pra amanhã.
Ontem, hoje, amanha. Alguns dias vão ser ótimos, outros nem tanto. Mas tudo fica mais fácil quando quem a gente gosta está junto. E por isso, todos os dias são um dia qualquer. Mas as pessoas não. Elas não podem ficar pra amanhã, de jeito algum. Elas não passam no calendário. E são elas que fazem os dias ficarem na memória. Velhas ou novas, elas não passam. Elas só ficam. De dia, de tarde e de noite. Ontem, hoje e amanhã.
Meu calendário não é feito de dias, mas de lembranças.
E é preciso comprar um calendário novo. E tem coisas velhas que devem ficar - como o amor, a amizade, o carinho. O velho e o novo sempre andam juntos e não adianta falar de esquecer o que passou. Mas está tudo fechado e o calendário fica pra amanhã.
Amanhã, mais um dia, como outro qualquer. Eu vou comer, reclamar, tomar banho, rir. Não necessariamente nessa ordem. Porque o que vem antes e o que vem depois andam juntos e não adianta ficar programando tudo. Nem tudo vai dar certo. Porque há a surpresa, o inesperado.
Alguns dias do calendário vão ficar na memória. E não será por um grande motivo. Vai ser por um jeito diferente de se dizer que ama, por uma coisa sem graça que você vai rir sempre que lembrar, por uma conversa boba. Hoje pode ter um pequeno motivo para ser diferente. E por isso, não é bom deixar tudo pra amanhã.
Ontem, hoje, amanha. Alguns dias vão ser ótimos, outros nem tanto. Mas tudo fica mais fácil quando quem a gente gosta está junto. E por isso, todos os dias são um dia qualquer. Mas as pessoas não. Elas não podem ficar pra amanhã, de jeito algum. Elas não passam no calendário. E são elas que fazem os dias ficarem na memória. Velhas ou novas, elas não passam. Elas só ficam. De dia, de tarde e de noite. Ontem, hoje e amanhã.
Meu calendário não é feito de dias, mas de lembranças.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Quem é o poeta
Não me basto, então escrevo. Escrevo para ser outra ou outro. E por isso, sou um Zé ninguém. Sem rigidez, sem número de identificação, sem destino.
Sou o menino apaixonado, a amante, a criança, o melancólico, o desiludido, o bobo, a criança. Só mais alguma alma.
Quero ser muitos em um só e um só em muitos. Brincar de ser o mundo todo em todo o mundo.
Ser apenas um Zé alguém.
Sou o menino apaixonado, a amante, a criança, o melancólico, o desiludido, o bobo, a criança. Só mais alguma alma.
Quero ser muitos em um só e um só em muitos. Brincar de ser o mundo todo em todo o mundo.
Ser apenas um Zé alguém.
Volátil
E se um dia tivessem me dito que o amor está em dividir o último pedaço de pizza, em levantar para apagar a luz ou em telefonar só pra dar 'bom dia'; eu riria em descrença.
Se me dizem isso agora, eu continuo rindo.
Mas é um riso diferente.
Se me dizem isso agora, eu continuo rindo.
Mas é um riso diferente.
sábado, 19 de novembro de 2011
minha escrita
Quando minhas histórias, contos, descontos, versos, inversos chegam aos seus olhos, queria que você entendesse que nem todas as palavras são sobre você.
Mas todas as minhas vírgulas são de amor. A pausa entre uma coisa e outra é o tempo do amor, o tempo do instante congelado.
Já você, está nas entrelinhas, escondido meio que sem querer querendo.
E meus pontos são sempre de exclamação, para fazer escândalo, chamar sua atenção.
Na exclamação, eu vivo de recomeçar. Nas vírgulas, respiro para poder amar. No dito não-dito, eu exclamo as vírgulas.
Mas todas as minhas vírgulas são de amor. A pausa entre uma coisa e outra é o tempo do amor, o tempo do instante congelado.
Já você, está nas entrelinhas, escondido meio que sem querer querendo.
E meus pontos são sempre de exclamação, para fazer escândalo, chamar sua atenção.
Na exclamação, eu vivo de recomeçar. Nas vírgulas, respiro para poder amar. No dito não-dito, eu exclamo as vírgulas.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Sobre unhas quebradas e otimismo
Minha unha quebrou. E eu chorei. Sentei na calçada da rua e chorei. Eu não queria ajuda. Não podia dizer "choro porque minha unha quebrou". É um motivo estúpido. O mundo não está preocupado com os meus problemas, ele mal consegue lidar com os seus próprios. Eu não sou grande como o mundo e às vezes, lido tão mal com os meus. Eu sou meu próprio mundo. Que desastre.
Não é um motivo estúpido. É meu motivo. Meu humor, minhas emoções, minha sensibilidade, meu dia, meus problemas, minhas vidas são tão mais complexas que uma unha quebrada, mas às vezes se resumem a ela. E quem vai me dizer que eu não posso querer chorar, gritar, pedir socorro, um abraço só porque eu perdi o ônibus, quebrei a unha ou fiquei presa no elevador? Tem dias que uma lasca de unha dói mais que um corpo inteiro lascado. E não é preciso explicação ou solução. A unha cresce, outro ônibus passa, o elevador volta a funcionar. A gente sabe. Nós só precisa lembrar que sabemos.
Não é um motivo estúpido. É meu motivo. Meu humor, minhas emoções, minha sensibilidade, meu dia, meus problemas, minhas vidas são tão mais complexas que uma unha quebrada, mas às vezes se resumem a ela. E quem vai me dizer que eu não posso querer chorar, gritar, pedir socorro, um abraço só porque eu perdi o ônibus, quebrei a unha ou fiquei presa no elevador? Tem dias que uma lasca de unha dói mais que um corpo inteiro lascado. E não é preciso explicação ou solução. A unha cresce, outro ônibus passa, o elevador volta a funcionar. A gente sabe. Nós só precisa lembrar que sabemos.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Máquina
Se tudo fosse como abrir e fechar janelas no computador
Que simples seria
esconder o choro, ignorar um amor, terminar uma briga
Minimizar as pequenas chatas coisas, as preocupações
Fechar a dor, a tristeza, o desamor
Maximizar, só se fosse alegria
Que vida boa seria
Um clique,
a pele nem sente
Nem sente
Que simples seria
esconder o choro, ignorar um amor, terminar uma briga
Minimizar as pequenas chatas coisas, as preocupações
Fechar a dor, a tristeza, o desamor
Maximizar, só se fosse alegria
Que vida boa seria
Um clique,
a pele nem sente
Nem sente
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Os sentimentos não deveriam ir para o dicionário
Estava na dúvida se amava de verdade. Foi procurar no dicionário para ter certeza. Culpou-se. Talvez não amasse. Estava enganada esse tempo todo. Falavam em zelo, dedicação, afeição, ternuna, afeto, apego. Mais sentimentos. Ela queria algo concreto. Queria poder pegar no amor, embrulhar, enviar pra presente. Foi então procurar o significado dessas palavras que definiam o amor. Umas levavam às outras e todas voltavam ao início: amor.
Queria chorar. Ela entendeu: amor é um círculo vicioso, voltando sempre a si mesmo.O início sem final, o final sem início. Um que vai a dois e dois que volta a um. Não amava - concluiu. Não queria amar. Não daquele jeito. Se era para amar com repetições, voltando sempre ao começo, não queria. Não queria a possibilidade de um e dois, queria o três, quatro, treze, duzentos, um milhão, o infinito de caminhos. Queria o amor que muda, que avança, que cresce, que aprende. Amor que não se importa com início, meio e fim. E sim com a possibilidade.
Fugiu. Mandou uma carta para ele explicando o ocorrido, que não podia mais vê-lo pois amava do jeito errado,e que ele nao merecia isso. Ele, muito pacientemente, explicou a ela que cada um tinha seu jeito de sentir, que não podíamos classificar ou quantificar os sentimentos. Ela não acreditava, disse que os livros não se enganavam e que o dicionário era o livro que mais sabia pois tinha a definição de todas as coisas do mundo.
Um dia, depois de alguns meses, recebeu em sua casa uma caixa cheia de livros de poesia com um bilhete que dizia: mando-lhe os corretos dicionários.
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