terça-feira, 23 de novembro de 2010

o mundo é pequeno
em distância
o mundo é grande
em diferença
o mundo
é mais pequeno que grande
grande de ideias
pequeno de mudanças
o mundo é meu quintal
meu quintal é grande
nele cabe o mundo
pequeno demais
pro meu quintal
que é cheio demais
pra esse mundo vazio

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

o nosso amor
você trancou
com cadeado
pra nunca mais
soltar
bonita essa coisa
de se zelar

esqueceu
eu tinha cópia da chave
então fui lá
abri e joguei no mar
esse amor de aprisionar
nao quero
é medo, insegurança, descrença

fui me libertar

domingo, 14 de novembro de 2010

sábado, 13 de novembro de 2010

catástrofe

a mesma paisagem
o mesmo lugar
o mesmo céu
nunca são os mesmos
ela permanece
inconstante
na sua constância
de saber quem é

o céu não era o mesmo
incansavelmente azul
daquele dia
noite e madrugada
ele estava cinza
prevendo que algo
não estava certo

continuavam azuis
seus olhos cor de amêndoa
como a mais pura lagoa
sua inocência transbordava por eles
ela não pretendia alagar
meu pobre coração
mas fez tempestade
com essa barata metáfora

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Delirando

Me diz o que é a loucura

É gostar de quem não gosta de ti ?
É gritar no mais alto tom?
Jogar fora enquanto tem gente que precisa?
É levar multa por estacionar seu carro em lugar inapropriado?
Ou andar em ruas esburacadas?
Loucura é classificar o certo e errado?
Quebrar regras?
É perder a razão ou viver com ela?
Entrar sem pedir licença?
Loucura é falar o que pensa ou se calar?

Loucura é separar
podendo igualar
Loucura é dividir
podendo multiplicar
Loucura é classificar
podendo interpretar
Loucura é limitar
podendo expandir
?

domingo, 7 de novembro de 2010

Viajante

eu quero conhecer o mundo
de ti e o mundo das gentes
o das gentes eu já venho conhecendo
mas não acertei ainda o caminho até o teu

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Compartilhando minha solidão

Hoje fui ao cinema, sozinha. Não é a primeira vez que faço isso. E não é isso que quero destacar.
Eu me senti bem. Eu me sinto bem fazendo certas coisas sozinha. Nós estamos o tempo todo cercado de outras pessoas e por mais que façamos coisas sozinhos, estamos realmente sós? Digo, estamos pensando em um nada nosso, apenas em nós?
Eu não estava sozinha no cinema, obviamente, mas estava me sentindo. No melhor sentido da palavra. No sentido de estar dedicando um tempo apenas à mim, sem pensar em mais nada.
Pacificador.
É como se na maior parte do tempo eu estivesse em guerra com os meus problemas, com as minhas tarefa, com minhas preocupações que envolvem mais outros do que à mim mesma. 
Não estou falando de dedicar um tempo ao egoísmo ou ao individualismo. Acho que quero falar sobre individualidade. Minha individualidade está nesses momentos em que eu consigo esvaziar minha cabeça e estar só, mesmo que inserida num coletivo. Numa solidão que me faz pensar, sorrir, refletir, que me faz bem.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Recíproco

quando eu canto
seus ouvidos também cantam

quando eu lhe toco
sua pele me toca

Mas quando eu lhe vejo
você não me vê